Querida Samara

 

Pensei no título não só pela minha amiga querida chamar Samara, mas pelas tantas confissões que a faço, ela me é como um diário, daqueles mais bonitos que se encontram na papelaria. Querido diário, querido blog, querida Samara-que bom é poder compartilhar a vida com você.

Li uma vez foleando ´´A descoberta do mundo’’ de Clarice Lispector:´´ Meu mundo é feito de pessoas que são as minhas- e eu não posso perdê-las sem me perder.’’ Me lembro também de ler uma frase no Tiktok ( desculpem-me, caros leitores, usar o Tiktok como referência) que era como: ´´somos um mosaico de todas as pessoas que já amamos’’. Concordo em gênero e grau com essas frases .Me parece então, que o principal sentido de viver é construir laços e ligações com aqueles que nutrimos amor, com aqueles que te conhecem tanto que parecem conseguir te ler como se lê um diário, te ouvem como se ouve a um podcast, e guardam seus detalhes, os detalhes de vocês mesmos ,que nem vocês próprios notaram em si. Tenho algumas pessoas que sinto que poderia dizer que são ´´minhas pessoas’’ ´´my people´´, e a Samara seria com certeza uma pessoa da qual me importo e não posso perdê-la, pois ela me é tanto ,que possui partes e pedaços de mim. É como se ela me constituísse um pouco, e eu me transfigurasse um pouco nela, é como se ela me ajudasse a montar o quebra cabeça da minha vida, e ajudar a terminar o meu mosaico, o mosaico da minha vida .O museu da minha existência.

Sem algumas pessoas na nossa vida nos perdemos, e se temos com quem contar podemos olhar o reflexo dessas pessoas, e tentar vasculhar na imagem que temos delas um pouco de nós mesmos .Pois se amamos  essas pessoas, um pouco de nós sempre estará com aqueles dos quais nos importamos. E assim, poderemos usá-los de bússola para nos situarmos, e encontrarmos a nós mesmos na nossa vida.

E então leitor, vocês tem alguém que os ajudam a navegar em um mar sem direção??Espero verdadeiramente que sim.

Não só acho que amizades são importantes em vida, mas também em morte. Calma. Deixe-me explicar. Acredito que nos guardar na memória de quem gostamos é uma forma de sobreviver ao tempo, não falo aqui de físico ,é claro .Mas sim, de sentimentos e emoções nossos que ficarão  sempre no coração de quem algum dia já pertencemos .É como se nosso coração continuasse a bater, só que fora de nós. O nosso próprio coração morrerá ,mas nós continuaremos nossa existência, será como nosso pós morte.

Sei que quando eu morrer ,um pouco de mim ainda vai ficar, um pouco do meu coração ainda vai ficar .Um pouco de mim vai ficar com a Samara.

E vocês leitores, com quem vão deixar um pouco de quem foram quando ainda vivos?

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