Preço
Qual o preço de não saber da vida, qual o preço de não saber
quem se é?Qual o preço de nunca, nunca se entender, e não amar seu
desentendimento. Essa dor que parece que é tão intrinsicamente sua, a dor de o
mundo estar em guerra, e você, em uma guerra sozinha. Quando as luzes se apagam,
você ainda não dormiu, infelizmente ninguém fica acordado nesse breu, a altas
horas...Sua dor é unicamente sua e todos os espelhos nostálgicos estão virados
pra você.
É como se sentisse toda a dor do mundo, mas a sua dor...é
unicamente você que pode senti-la. No fim, será só você e sua xícara de café,
só você e seus livros,só você e suas lágrimas pegajosas percorrendo o formato
de seu rosto. Será você e sua própria solidão, você oferecendo essa mesma solidão
de volta ao mundo, você entregando sua falta,e sua própria e única incompletude
.Será você e a dor do mundo que não pode curar,será você e a dor dos que mais
quer curar, mas seu abraço não é mais que um consolo fraco... Sua voz não é
mais que um abraço singelo à dor que o mundo proporciona...Sua poesia não é
mais que você exercendo seu direito de ser atriz. Seu amor não chega, não alcança.
Sua voz,seu abraço...Eles não curam muitas coisas, não resolvem, o que mais
tinha vontade de curar.
Essa dor da perdição... Essa dor de sermos sós em um
universo tão conjunto e integrado, acho que essa dor da minha individualidade solitária
sempre vai me perseguir, porque mesmo que pensamos tão iguais... Provavelmente não
será exatamente, o mesmo pensamento que me persegue e me tira o sono. Nunca
serei tão igual, como gostaria de ser ,nunca serei tão a mesma pessoa que meu
semelhante, como gostaria.Talvez nunca serei tão plena sozinha,como se tivesse
acompanhada.Talvez a maldição da vida de todos nós é estar tão avassaladoramente
sozinhos, nesse mundo abarrotado de pessoas. Talvez nossa maldição é não ter o
poder da cura, é não poder tirar a dor de nós mesmos, e muito menos, de quem
mais amamos. Então como expectadores maldosos, assistimos a dor e o sofrimento,
sem nada poder fazer por ele.
Então qual o preço de viver? O preço talvez seja não poder
escolher o amor e curar nossas dores, e as dores alheias. Talvez seja poder
encarar de frente, e olhar olho no olho, da dor e da angústia, e sentir todos
esses sentimentos, mas não poder controlá-los. Apenas revisitá-los em uma nostalgia
falsa e infinita.
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