objetos
Consigo enxergar até dentro dos objetos, mas os objetos não sentem, e não sentem a dor como eu, mas parece que eles já tiveram uma vida e uma dor como eu... Os objetos tremem, se contorcem, quebram, dissolvem, são embrulhados e entregues, como eu mesma. Os objetos são deixados em altares, entregues como oferenda a Deus, como eu queria ser entregue a ele. Deixada aos seus pés, como são deixados os objetos... Então talvez eu não queira ser eu, talvez só queira ser um objeto com alma, e algum tipo de sentimento, com alguma poesia... Era para nós, seres humanos, sermos os mais poéticos, mas não somos. Nossa arte, nossos rascunhos, são a verdadeira, mais crua e pura poesia, nosso reflexo mais límpido e autêntico. Então queria mergulhar nessa imensidão gélida de todos os objetos do mundo. E eu queria, como eles, só ser. Serrrrrr. Ser.
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