Dualidade dilacerante

 Tudo branco, tudo preto.

Nada faz sentido, tudo faz sentido.
Vejo esperança, mas não vejo nada.

Tudo é um borrão, miopia...
É como se eu tentasse enxergar tudo,
mas não enxergo nada —
nada além de mim e tudo,
turvo.

Minha esperança sempre foi
que o mundo continua,
continua a girar...

Os pássaros, mesmo que eu chore,
continuam a cantarolar.
O sol ainda vai nascer,
e a manhã de frio ainda vai chegar.

Alguém há de passar o café,
e sorrir, e dar bom dia.
Sei que essa pessoa não vai ser eu,
mas talvez, um dia seja.

E quando esse dia chegar,
serei feliz
como ninguém nesse mundo foi,
e talvez nunca seja.

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