Neve

 

Parecia uma manhã de Natal.
Mas não pela aparência — pelo sentimento.
Aquele sentimento bom de acordar feliz numa manhã.
Uma manhã de Natal.

Mas não era Natal.
Era só a neve.
A neve batendo forte, e nada pesarosa.
Só macia.
Feliz de ter chegado fria e sincera, como sempre.

Não sei… acho que ela carrega uma personalidade.
Ou seria ele?
Seria a neve um homem?
Não, não é.
Neve não é homem, nem mulher.
Talvez seja apenas uma encarnação.

Uma encarnação? Sim.
Eu digo encarnação porque é como uma entidade.
É isso: neve é entidade.
Ela é fria e feliz,
solitária,
e talvez sinta a frieza de todos nós.

Sinta nossos corpos quentes em seu tecido gelado,
sinta-se até aquecida quando toca a pele humana.
Porque a pele da neve é uma só camada contínua de gelo,
de solidez.

Um pedacinho sólido de areia,
jogado ao céu aberto,
a voar gelado pelo multiverso congelante.

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