Troféu

 Ainda não posso amar,

pois ainda não me amo o suficiente
para entender o seu amor.
Ainda tenho que me entender
para que eu possa te compreender...

Não posso me permitir ao seu amor,
pois você não sabe o que é o amor cru.
Você conhece o ego
e conhece todas as partes do meu corpo,
mas não me conhece nem um pouco.
Não chegou nem perto,
não chegou a bater nem na porta
da minha alma.

Você me queria na sua coleção,
queria me guardar com seus outros troféus,
porque é um colecionador.
Mas não pode me ter e nem me guardar,
porque não caibo nas suas caixinhas
nem em suas listas baratas.

Não sou diferente das outras,
porque as outras também
nunca foram suas...

Nós dois gostamos,
gostamos de mentir.
Mas eu minto torcendo para que não acredite;
você mente torcendo para que eu chore
nos seus braços...

Você torceu para que eu caísse;
eu torci para que você percebesse
sua própria mentira.
Eu torci para que se superasse,
o seu próprio ego.

Eu consigo ver sua fragilidade...
Mas queria ver você
se mostrar para mim
vulnerável e cru.
Sem troféus.
Só suas perdas mais cruéis...

Mais do que sentir sua pele
e ouvir sua voz adocicada,
queria sentir a textura,
a cor
do seu coração.

Gosto de ver suas fotos,
mas queria eu
tirar umas fotos
dos seus olhos puros.

Mas você não me enxerga como humana;
me enxerga como um ideal,
uma extensão do seu ego,
mais um jogo para se divertir,
caçando tesouros
que nunca se mostraram para você...
Pelo menos não
com seu brilho mais sincero.

Mas vá.
Eu não tenho que deixar nada,
mas te deixo ir.
Mas quero que nunca mais volte.
Não precisa.

Seu cheiro e sua memória vão ficar;
serão sempre meus,
meu troféu,
para a minha coleção.

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