Sei que tem algo em mim

 Sei que há algo de cruel em mim, mas sei que nunca escolherei esse lado. Pois prefiro morrer a ser isso; antes de ser uma vilã sanguinária, quero ser morta, quero ser terra e pó. Quero saber da beleza de morrer com dignidade, de morrer com amor ao meu redor, morrer acompanhada, mesmo que o destino final seja a solidão.

Sei que tento fazer sentido da vida, mas não sinto que a vida tenta fazer sentido de mim; ela quer rir e dançar na minha cara, bem diante dos meus olhos... Ela quer me olhar de perto e não me entender, só me sentir, de perto, com ternura. Talvez a vida seja a única coisa que me escolha incondicionalmente, até que um dia me mate, ou me deixe ir, me deixe descansar. Talvez a vida não seja nem um pouco cruel; afinal, ela é a única que nos deixa partir, sem remorso, com uma certa frieza até... Nos deixa ir como se fôssemos animais terrestres...

Sei que me acho isso ou aquilo, mas, no fundo, não me acho nada; não me acho nem digna do amor humano, muitas vezes... Será que conseguirei me achar digna do amor de Cristo? Na verdade, consigo me imaginar mais sendo amada pelo próprio Cristo do que por muitos da minha espécie. Será Cristo uma espécie? Não... Cristo é um amor, uma energia, um carinho terno. Consigo até imaginá-lo a fazer cafuné em mim antes de eu adormecer... Talvez Cristo realmente me veja, veja quem sou e enxergue as nuances da minha alma, as cores da minha dor, o cerne do meu ser e o vermelho do sangue que me corre pelo corpo.

Sei que me acho, tento me achar.

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