Vista pro mar

 

Eu queria ser uma vista serena,

Uma que quase não se mostra aos olhos desatentos,

uma que é fria, mas doce

uma que quase morre,

mas sempre acaba por viver.

 

Queria ser uma vista fragmentada,

onde só os detalhes se mostrassem.

Só as pontas do cabelo,

as cores das unhas,

o brilho da pele,

a curvatura do corpo,

os cílios humildes.

 

Queria ser uma vista com solidão,

mas não do tipo de solidão que aperta,

do tipo que rasga, mas acolhe o sangue derramado.

Do tipo que deixa o sangue escorrer suculento,

mas não o descrimina e o joga fora,

não.

Quero o tipo de solidão que me beba toda,

Me consuma a alma,

mas de um jeito bonito, me amando.

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